Cresce à nossa volta o número de pessoas que falam maravilhas dessa palavrinha inglesa. Por Claudio Carneiro
Cresce à nossa volta o número de pessoas que falam maravilhas dessa palavrinha inglesa de fácil pronúncia mas difícil de explicar. No esporte, o coach é o treinador – aquele sujeito que cria as estratégias da equipe – ou de um único atleta – para chegar à vitória. A melhor jogadora de futebol do mundo, a brasileira Marta, chama seu técnico de coach. No mundo do trabalho, o coaching é o processo que apoia determinada pessoa na busca de um resultado – um bom resultado, diga-se.
Conversando com seu coach, o cliente – ou coachee – investe tempo e dinheiro para pensar onde está e onde gostaria de estar em determinada área de sua vida – seja pessoal ou profissional. É como traçar uma meta e contar com alguém para atingi-la. Não cabe ao coach interpretar ou julgar uma pessoa, mas é preciso que ele faça perguntas – as perguntas certas para que seu coachee atinja determinado objetivo.
Como se fosse uma empresa, o cliente define sua missão, valores e visão.Estabelecidos os limites, é hora de reunir as ferramentas para atingir as metas estabelecidas, digamos, para o próximo ano, por exemplo. Além dos objetivos profissionais, o “coachee” deve observar sua Roda da Vida e perceber se está dando atenção à família e à própria saúde.
Nossa! Esse papo-cabeça deve demorar uma vida”! Engano. Um processo de coaching dura, em média, de dois a três meses. Nesse período, pode ser que família e saúde recebam pesos iguais. Mas nada impede que se dedique a somente uma delas e, depois, à outra. O importante é que, em cada sessão, o cliente vai adquirir novos recursos – como habilidades, capacidades e confiança – e definir tarefas que deverão ser executadas até a sessão seguinte, cumprindo metas.
Custos e benefícios
Um caso clássico: Aos 30 anos, uma publicitária, independente financeiramente, se casa e deixa o mercado de trabalho. Alguns anos depois,com duas filhas, ela se sente insatisfeita. Utilizando uma das ferramentas de coaching, ela conclui que sente falta da vida profissional. Ela opta,então, por abrir um negócio. Para isso foi preciso fazer um planejamento contemplando várias etapas e metas, que foram sendo cumpridas até,efetivamente, voltar ao mercado.
A ideia é que, ao longo de um processo, a pessoa evolua – sentindo-se mais capaz e motivada para realizar tarefas que a aproximam ainda mais da sua meta. “Essas conversas não podem ser por e-mail, por exemplo. Pesquisas apontam 50% de uma mensagem é transmitida via linguagem corporal e a voz é responsável por quase 40%. Assim, a leitura dos sinais não verbais é fundamental no trabalho de coaching, para perceber mudanças que muitas vezes são inconscientes. São alterações de estado, que vão dando pistas sobre a pessoa. Sei que existem coaches que atendem por skype. Com a câmera e o áudio, os sinais não se perdem e dá bons resultados”, revela a Opinião e Notícia a profissional Sandra del Soldato, coach certificada pela International Association of Coaching-Institutes.
Nestes contatos são estabelecidas, basicamente, as metas a serem atingidas até o próximo encontro. É importante que o cliente analise quais são suas forças e fraquezas e também suas oportunidades e ameaças – tal como as empresas fazem sua tabela Swot – sigla que corresponde a estas quatro qualidades na língua inglesa. “O coach não interpreta e não interfere no modelo de mundo do seu cliente. Como o processo se baseia em estabelecer metas e acompanhar o cumprimento delas, teremos de identificar – se não forem cumpridas – que tipo de crenças limitantes impedem que ela seja realizada. Para isso, é importante conhecer o cliente – seus valores e crenças. É preciso também ter muito respeito pelo coachee e seu momento. Não adianta nada criar uma meta que não vai ser cumprida”, destaca Sandra.
Ainda segundo ela, um coach que já esteja estabelecido pode cobrar de R$500,00 a R$ 800,00 pela sessão. Um coach junior pode cobrar R$ 150,00.”Quando uma pessoa busca o coaching ela já deu o primeiro passo para a mudança. Ela está disposta a encarar o processo. Talvez não saiba que, em alguns momentos, vai se deparar com dificuldades, mas, para isso, ela tem o coach ali do lado. Para começar a fazer coaching a pessoa tem que estar disposta a mudar”.
Ao contrário de uma terapia, em que a pessoa vai mergulhar em questionamentos internos e muitas vezes avaliar o passado, no coaching não se detém nas razões que o levaram ao estado atual. O que importa é saber que o estado atual não é onde se quer estar. “A pessoa que acabou de se separar e está triste, por exemplo, talvez não esteja no melhor momento para iniciar o processo porque vai querer mergulhar nas razões da separação, etc. Talvez nesse caso seja melhor procurar uma terapia. Mas quando ela estiver bem,pensando no futuro, aí sim o coaching é indicado” conclui.

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